Outubro Rosa e o Relato de Guerreiras: a história de Cristiane

O Outubro Rosa é uma campanha mundial sobre o câncer de mama. Há mais de 10 anos esse movimento, que surgiu nos Estados Unidos, incentiva o conhecimento sobre os sintomas e prevenção dessa doença que atinge em torno de 156 mulheres todos os dias no Brasil.

Nós temos um artigo muito interessante que explica detalhes sobre a campanha, ensina você a identificar os sintomas e dá orientações sobre o auto-exame. Quer ler?

Nós preparamos uma série de relatos de mulheres que descobriram o câncer de mama. Elas estão em plena luta contra ele. São histórias de superação, resistência e muita coragem! Confira nesta entrevista a história de Cristiane, que mora no Ceará e descobriu a doença em setembro de 2018.

“Nós mulheres as vezes não nos cuidamos e achamos que não vai acontecer com a gente”, diz Cristiane, de 34 anos, que descobriu o câncer de mama em 5 de setembro de 2018.

Os primeiros sintomas

Cristiane tem 34 anos e mora em Quixadá, no interior do Ceará. Descobriu que estava com câncer de mama dia 5 de setembro de 2018. Com sua voz segura, conta sua história em detalhes e, apesar do diagnóstico recente, passa tranquilidade durante todo o seu depoimento.

“Há algum tempo atrás eu comecei a sentir uma dor embaixo do meu braço, na minha axila, entre o meu braço e as minhas costas. Uma dor muito forte, não me deixava dormir, incomodava bastante. Eu imaginei que fosse uma dor muscular por conta de algum exercício físico que eu estava fazendo. Essa dor ficou por alguns dias no meu braço, eu tomei uns medicamentos e ela foi embora”.

“Um dia, eu fui tomar banho e eu passei a mão no meu seio esquerdo e senti um pequeno nódulo, só que, como eu tinha passado por um processo de emagrecimento, eu tinha perdido 28 quilos, eu imaginei que fosse um nódulo de gordura na minha mama, porque não me incomodava, não doía nada”.

Uma quase certeza

Cristiane resolveu deixar a visita ao médico para depois, o que é muito comum, pois poucas mulheres sabem quais são os sintomas do câncer de mama. E como a própria Cristiane disse: “achamos que não vai acontecer com a gente”.

Meses depois começou a sentir o nódulo crescer e ficou preocupada. “Ele dava pinicões, ficava queimando, eu sentia o meu peito esquentando”, relatou. Dia 23 de setembro fez a primeira ultrassonografia e o médico a encaminhou a um mastologista.

No entanto, resolveu procurar uma segunda opinião. Então, no dia seguinte foi a um especialista. “Ao começar a ultrassonografia ele me olhou com um olho assustado”, relembra ela. O segundo médico indicou a ida ao mastologista com urgência para uma biópsia. Quando saiu o laudo do ultrassom, Cristiane e seu marido estavam assustados e ansiosos para saber o resultado. “Saí chorando… E ao ver o laudo do médico da ultrassonografia eu fiquei bem apavorada porque ele classificava meu nódulo como um BIRADS 5”.

BIRADS é um sistema de internacional de avaliação da mama e pode ser usada em resultados de exames de mamografias, ressonância nuclear magnética das mamas e ultrassonografias mamárias, como foi o caso de Cristiane. A classificação BIRADS 5 indica uma suspeita muito alta (95%) de câncer.

A biópsia

Cristiane foi encaminhada ao Instituto do Câncer do Ceará, em Fortaleza. Depois de três horas de viagem, chegou à capital do Estado e foi atendida por uma oncologista e fez a biópsia na hora.

A biópsia da mama é o exame utilizado para diagnosticar o câncer. Este exame é um pouco invasivo e, embora pouca gente saiba, costuma causar alguns incômodos. O exame se inicia com uma anestesia local, depois usa-se uma agulha coletora de material do tumor para analisar se existem células cancerígenas.

Cristiane nos contou como foi: “É tipo uma pistolinha pequena, parecida com aquelas pistolinhas de cola quente, só que ela é um pouco maior, e na ponta dela tem um cano com uma agulha grossa bem grande”. A agulha é colocada na mama e a pistola é acionada para trazer para fora o pedacinho do tumor a ser verificado. A agulha foi lançada três vezes.

Após o procedimento, são feitos curativos e a recomendação é muito precisa: retirá-los após 24 horas. Durante os sete dias seguintes é preciso usar um sutiã bem apertado. “É tranquila, só não é confortável depois, quando passa o efeito da anestesia ela incomoda um pouco”, falou.

 A temível notícia

Dia 5 de setembro Cristiane foi buscar o resultado no ICC. Já havia lido muito sobre câncer de mama na internet, naquele momento a expectativa era grande. Cristiane e Leandro, seu esposo, se olharam.

Cristiane não quis esperar e abriu o exame. Viu escrito em negrito, com muito destaque: “CARCINOMA”. “Carcinoma Ductal In Situ” repetiu pausadamente cada palavra ao lembrar daquele momento, “E lá em cima tinha bem escrito também Carcinoma Invasivo”.

A emoção é inevitável: “Na hora eu entrei em desespero, chorei muito”. Até o último momento antes de ser confrontada com a realidade, Cristiane alimentou a esperança de que fosse um tumor benigno e que seria necessário apenas retirá-lo. Descobrir que está com um tumor maligno é uma notícia que se aceita aos poucos: “A cada dia que passa tento aceitar mais a minha realidade”, diz.

O cabelo vai embora e depois volta

O tratamento para o câncer de mama consiste, basicamente em duas fases: quimioterapia e cirurgia. Alguns médicos preferem começar pela quimioterapia e depois que o tumor ceder, diminuir de tamanho, realizar a cirurgia. Entretanto, existem casos em que a cirurgia é necessária desde o começo.

A questão é que quem recebe o diagnóstico de câncer, logo pensa na perda dos cabelos, ainda mais as mulheres. Com Cristiane foi assim, uma das primeiras angústias foi a queda dos cabelos e sobrancelhas. Porém, depois de um tempo para refletir ela pensou: “Não estou mais preocupada com meu cabelo, porque ele vai embora e depois volta e se, Deus me livre, eu não me cuidar minha vida vai embora e não volta mais”.

Mensagem de esperança

Para as leitoras, Cristiane envia um recado: “Não importa a idade que você tenha, mulher, se você tem, se você sente algum nódulo, algum desconforto na mama, vá ao médico. Como pode também não ser nada, pode ser um câncer” alerta.

E declara:”Eu desejo a todas as mulheres que se forem diagnosticadas com câncer de mama que tenham fé em Deus e tenham força pra trilhar essa batalha que vem pela frente”.

A importância dos grupos de apoio

As redes sociais são um espaço para muito debate, e os grupos de apoio para pessoas com doenças como o câncer de mama são um local importante para buscar informações, acolhimento, trocar experiências e conhecer pessoas que passam pelas mesmas dificuldades.

“No início fiquei muito apavorada com o diagnóstico, e como antes eu já tinha entrado no grupo, porque eu tava com aquela quase certeza, elas foram me acolhendo de uma tal forma, me dando várias explicações, me dando muita força… Tenho umas já que chamo de amiga, porque no dia do resultado me ajudaram muito, me encorajaram muito e elas estão sendo muito importantes para mim nesse momento”, conclui.

Se você leu e se emocionou com a história de Cristiane, por favor, compartilhe e ajude a divulgar a luta dessas mulheres incríveis! Para saber mais sobre o câncer de mama, confira:

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